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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Repassando... hospitais em foco!

Na coluna da Época Negócios dessa semana, José Roberto Ferro, presidente do Lean Institute Brasil, explora os problemas da má gestão hospitalar em nosso país. Vejam a matéria no link abaixo:

http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2012/08/hospitais-comecando-sair-da-uti.html

Passei por situações parecidas com a que ele descreve em sua coluna.Vejam as matérias nos links abaixo:

http://leanparatodos.blogspot.com.br/2010/12/hospitais-sem-sofrimentos.html
http://leanparatodos.blogspot.com.br/2011/02/sistema-de-saude-doente.html

Existem casos de sucesso nos Estados Unidos e esperamos ver mais casos de sucesso, como o do Instituto Oncológico do Vale, de São José dos Campos, apresentado no último Lean Summit Brasil.

Nos dias 05 e 06 de Novembro terei o prazer de palestrar no 6º Forum Nacional de Lean (www.6fnl.grupolean.com.br). Aproveitarei a oportunidade para ver um case que será apresentado, do Hospital Albert Einstein de São Paulo.

Acho legal dividir a matéria para salientar que é um assunto que vem ganhando espaço e foco de profissionais que trabalham com melhoria contínua em uma área onde todos saem ganhando.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Poupatempo, um belo exemplo!

Se eu tivesse que exemplificar um projeto de melhoria que trouxe resultado de alto impacto, eu diria que o Poupatempo foi um deles. São muitos elementos do Lean System aplicados em um mesmo local, gerando um alto nível de excelência.

Me lembro quando fui tirar minha segunda cédula de identidade, em 1996, em São Paulo. Nessa época as cédulas eram feitas em delegacias, levavam 30 dias para ficarem prontas e ainda tínhamos que passar o dia na delegacia para fazer todas as assinaturas, impressões digitais, etc, etc, etc... Com o Poupa Tempo, uma cédula de identidade fica pronta em 2 dias e gastamos cerca de 3 horas pra concluir todo o processo de assinaturas, etc...

O que foi que trouxe tanto ganho? Assim como toda boa implementação Lean, redução de desperdícios! Vou listar abaixo alguns elementos do Lean System que conseguimos facilmente identificar nesse estabelecimento:

1 - 5S e Gestão Visual: tudo é muito bem identificado, bem sinalizado, usando e abusando das cores e efeitos sonoros para facilitar a circulação e fluxo das pessoas. Evita que as pessoas percam tempo procurando pra onde ir;

2 - Fluxo contínuo: existe uma clara preocupação com fluxo. O próprio lay-out foi concebido de modo a facilitar o mesmo. Dentro do Poupatempo tem, inclusive, um banco para que o pagamento das taxas seja feito no próprio local, impactando diretamente no lead time. Esse mesmo banco, fica em um local central, para facilitar o acesso das pessoas que vem dos vários postos de serviços do Poupatempo. Outro exemplo visando facilitar o fluxo, são os médicos que tem postos de atendimento no local também, evitando que as pessoas saiam do Poupatempo para fazer as consultas inerentes ao seu processo. Tudo isso tem um impacto direto no tempo de execução das atividades, que caem drasticamente pela facilidade de todos os serviços estarem no mesmo local, em um fluxo lógico;

3 - Treinamento: minha esposa que notou isso. No dia em que esteve para tirar seu novo RG, ela foi atendida por um funcionário que, dois dias depois, quando ela foi buscar o RG, estava trabalhando em um outro posto de trabalho, sendo supervisionado por alguém mais experiente. Impacta diretamente a flexibilidade da mão-de-obra, pois capacita diversas pessoas para trabalharem em diferentes postos de trabalho;

4 - Poka-Yoke: existem alguns modelos interessantes. Quando temos que assinar algum documento (CNH, por exemplo), o documento é colocado em uma pasta L, de modo que apenas o local onde devemos assinar fique visível, com um tamanho limitado, para garantir que a pessoa que vai assinar não erre local e tamanho da assinatura, evitando re-trabalho e refugo de documentos;

Esses são alguns exemplos que podemos facilmente notar no Poupatempo. Com tudo isso, ele consegue hoje prestar mais de 400 serviços diferentes, desde emissão de RG até certificado de antecedentes criminais, com um nível de satisfação dos clientes de 99%. Hoje tem a capacidade de atender 5 milhões de pessoas, com uma média de 110 mil atendimentos / dia!

Ótimo exemplo de desburocratização que gera um alto nível de excelência!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Dilma também sofre com desperdícios!

Por Luciano Peloche Moraes

Uma das coisas que eu vivo comentando e já citei em outros posts é sobre o impacto que teria um modelo de gestão com foco em melhoria contínua aplicado na administração pública. Na revista Nova Escola desse mês tem uma matéria que mostra perfeitamente o quão ruim e cheio de desperdícios são os órgãos que governam nosso país.

Quando eleita, uma das plataformas da campanha da presidente Dilma Roussef (aliás, de qualquer político que sai em campanha) é a Educação. No post Capacitação nas Nuvens eu toquei um pouco nesse assunto, mas o tema Educação é muito maior do que o que explicitei nele. Educação é fundamental e a única base para que o Brasil saia pra sempre da condição de país subdesenvolvido. É somente na Educação que formaremos uma sociedade mais justa, onde as pessoas respeitam umas as outras e criam condições de co-existir apesar das diferenças de crenças, etnias, etc. Essa é minha visão particular do assunto.

Como plataforma de campanha foi muito bem. Como discurso de posse, melhor ainda. Não vou aqui julgar a real intenção da presidente em fazer um Plano de Educação melhor do que o atual, mas considerando que realmente ela quer que isso seja implantado o quanto antes, a própria presidente torna-se vítima do seu ineficiente processo de criação de lei.

Na verdade chega a ser ridículo o quanto um projeto de lei troca de mãos até chegar para a presidente fazer a sansão. Pior de tudo é que nessa troca de mãos ocorre o hand-off que expliquei recentemente o conceito em um outro post. Cada vez que o projeto troca de mão, ocorrem esperas, re-trabalhos, revisões e aprovações desnecessárias.... um espetáculo do desperdício!

Nesse caso particular, esse projeto de lei tem uma importância ainda maior. Um dos pontos fundamentais do plano é o aumento do percentual do PIB a ser investido na educação. Atualmente o valor é de 4,5% e o plano prevê aumentar para 7%. Dentre outros pontos importantes para um assunto de tamanha importância e relevância. http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/acompanhar-perto-novo-pne-plano-nacional-educacao-565973.shtml


Na figura ao lado está todo o longo e doloroso caminho que o projeto de lei do novo Plano Nacional de Educação terá que percorrer, mesmo com toda a importância que tem. Pior de tudo é saber que a visão pessimista citada pela reportagem é ainda muito melhor se comparado ao Plano anterior, pois a previsão de duração para aprovação desse plano é de 1 ano, contra 3 anos do plano anterior. Um absurdo!

Se usarmos conceito de fluxo contínuo nesse caso, tenho certeza que o projeto levaria menos da metade do tempo previsto, que, para piorar, será menor que o tempo que efetivamente será gasto para aprovar o projeto (e sabe-se lá se será aprovado na íntegra).

Lean na Administração Pública! Por que não?

sábado, 21 de maio de 2011

Coleta de lixo Lean e Sustentável!

No post Lean e sustentabilidade - sexto princípio Lean?, explorei um pouco a relação que existe entre os dois sistemas de gestão. Recebi um vídeo que vai totalmente ao encontro do que mencionei no post.

Um dos grandes problemas de grandes metrópoles, sem dúvida, é a geração de lixo e sua consequente coleta e destinação final. No Brasil ainda não é unânime a cultura da coleta seletiva. É mais comum encontrarmos em empresas, mas em condomínios empresariais ou nas ruas, é bastante incomum essa iniciativa.

Em SP são geradas 17 toneladas de lixo todos os dias. Diariamente é percorrida uma área de 1.523 km² para coleta e estima-se que mais de 11 milhões de pessoas são beneficiadas pela mesma. Cerca de 3,2 mil pessoas trabalham no recolhimento dos resíduos e são utilizados 492 veículos (caminhões compactadores e outros específico para o recolhimento dos resíduos de serviços de saúde).

Duas empresas fazem o trabalho. A Loga realiza a coleta da região noroeste da cidade de São Paulo. Além da coleta, a Loga administra o aterro Sanitário Bandeirantes, em Perus, e o transbordo Ponte Pequena. A Ecourbis realiza a coleta da região sudeste e administra o aterro São João, na Avenida Sapopemba, e os transbordos Vergueiro e Santo Amaro.

Tive o prazer de conhecer Barcelona no ano passado. Aliás, uma das cidades mais incríveis que já visitei. Lá existe um sistema de coleta de lixo simplesmente fantástico e eu nào havia reparado nele. Trata-se de uma coleta seletiva através de uma tubulação subterrânea. O vídeo anexo explica em detalhes o sistema.



Os ganhos são evidentes:
- sem caminhões de lixo, portanto, reduz-se o custo de manutenção, melhora-se o trânsito na cidade e também a qualidade do ar;
- o sistema de coleta reduz muito o custo operacional das empresas que fazem a coleta. Agora, a coleta é feita pelo próprio usuário!
- contribui para o meio ambiente;
- trata-se de um projeto sustentável, que gera a sua própria energia necessária para funcionar, através do próprio lixo;

Ao meu ver, uma idéia Lean e Sustentável genial!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Chuvas no RJ: pensamento A3 x jump to solution


Créditos ao meu colega Geraldo Valério Neto, que escreveu 98% deste post.


Nos últimos dias temos acompanhado, podemos até dizer, 24h por dia os desastres no Rio de Janeiro. Desses desastres, podemos dizer que temos um problema. Toda vez que temos um problema e queremos resolvê-lo, um bom método é o conceito é explorado no livro "Gerenciando para o Aprendizado", de John Shook. O pensamento A3, que tem como fundamento básico o ciclo PDCA, nos leva a uma linha de raciocínio frente aos problemas que consiste em entender bem o problema, analisá-lo, planejar soluções que possam resolvê-lo e implementá-las. Claro, as medidas corretivas tomadas devem evitar que o problema ocorra novamente. Para tal, precisamos identificar a(s) causa(s)-raíz e propor soluções para que não tenhamos, por exemplo, esses mesmos problemas no próximo verão.

Infelizmente, não é isso que vemos por aí! Foi apresentada em um telejornal nacional uma matéria especial que fez a "bela" comparação entre o Rio de Janeiro (como o Estado Atual) e uma cidade na Austrália (como o Estado Futuro). A conclusão foi a seguinte: "o RJ não tem plano de emergência/contingência em caso de tempestades então morreram mais de 630 pessoas. A solução para os problemas é fazer o plano". 

Soa como um “jump to solution”, antagônico ao pensamento A3. Os conceitos do Gerenciamento Lean citados por Shook são:
- Vá ver
- Pergunte porquê
- Demonstre respeito

Não temos pretensão de dizer quais são as contra-medidas necessárias neste post pois pouco conhecemos das causas do problemas, teríamos que ir ver e perguntar alguns porquês, mas algumas análises podem ser feitas a fim de entender a situação atual.

Primeiramente, quanto à comparação com a Austrália, talvez a solução possa não ser a mesma. Na Austrália, a chuva forte provocou enchente numa planície como ocorre todo dia em SP, como aconteceu em São Luiz do Paraitinga-SP ano passado e pouquíssimas pessoas morrem nessas situações. Neste ano no RJ, a chuva forte provocou deslizamento de terra na região serrana, ou seja, os problemas são diferentes!

Algumas perguntas surgem quase que automaticamente como:
- o que causou o deslizamento?
- Instabilidade do terreno aumentou devido as forte chuvas ou a expansão urbana?
- Qual a tendência para o futuro?
- As cidades continuarão a crescer? Em que direção?

Outro ponto importante é com relação à informação à sociedade de forma preventiva. Sabemos que todos os telejornais diários possuem um bloco sobre a previsão do tempo! Aliados a isso, 95% dos lares do Brasil com este dispositivo de divulgação de informação chamado televisão! O alerta foi divulgado às 16h do dia em que ocorreriam as chuvas pelo CPTEC-INPE. Surge aqui uma oportunidade para entender como porque nenhum telejornal divulgou uma informação tão relevante. Agora, se divulgasse, mudaria alguma coisa? 

Talvez o plano de contigência seja mesmo necessário, mas é claro que, primeiramente, as perguntas acima e outras que surgirão no desenrolar deste trabalho deverão ser respondidas. Temos que estar embasado em uma bela análise do estado atual para depois propor ações que efetivamente solucionarão os problemas!

Tendo em vista a produtividade e a melhoria contínua que vemos nos órgãos públicos, as chances de isso acontecer ainda são remotas. Guardadas as devidas proporções, a falta de análise de causa raíz do problema lembra muito à solução adotada naquele problema da enfermeira, comentado no post "A causa raíz é a enfermeira?"

Cada vez mais evidencia-se que alguns conceitos de gestão empresarial aplicados na administração pública seriam de fundamental importância.

Como isso ainda vai levar tempo pra ocorrer, teremos que conviver durante muito tempo com os heróis do dia-a-dia. E relembrando da “velha” estatística apresentada por John Shook que de cada 10 crianças, 9 querem ser bombeiros e salvar vidas quando crescerem! Nenhuma delas cogita a idéia de ser o fiscal do corpo de bombeiros (da defesa, prevenção), afinal ele é um chato e seu trabalho entendiante!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Lean na administração pública: o caso da poda de árvores

Para o primeiro post de 2011, algo que venho comentando tem tempo. Se aplicarmos conceitos Lean na administração pública, muita gente sairia da zona de conforto e muito dinheiro público seria economizado.

Há pouco estava trafegando em SP, próximo ao Pacaembú e recebi um jornal Metro. Trata-se de uma publicação diária que é distribuído gratuitamente em semáforos na cidade de SP. Pois bem, a matéria de capa de hoje me chamou a atenção: FALTA EQUIPE PARA PODAR ÁRVORES, DIZ SUBPREFEITO. Veja abaixo o jornal em questão e a matéria:


 


A demanda mensal de árvores a serem podadas por essa sub-prefeitura (Lapa), segundo a matéria, é de 3.520 árvores. Se calcularmos então o Tempo Takt (grau de necessidade do cliente dividido pelo tempo de disponível), seria assim:

Demanda = 3.520 árvores
Tempo disponível = 140 hrs (considerando 22 dias úteis de trabalho, 8 hrs / dia, com uma perda de produtividade de 20%)
Tempo Takt = Demanda / tempo disponível => 3.520 / 140 = 25 árvores / hora
A sub-prefeitura possui 54 funcionários dedicados a esse tipo de serviço, ou seja, estamos falando de uma "produção" horária de 0,5 árvore / pessoa / hora.
1 árvore podada a cada 2 hrs!

A pergunta é: qual seria o tempo de ciclo para a poda de uma árvore? Claro que existem árvores mais complexas do que outras, do mesmo modo que existem outras mais simples também. Conversando com especialistas no ramo, todos confirmaram que de fato, 2 horas, em média, é tempo mais do que suficiente para podar uma árvore, ou seja, a demanda de podas atual consegue tranquilamente ser atendida, sem a menor necessidade de aumento de pessoal, como sugerido pelo sub-prefeito.

O que o sub-prefeito poderia se preocupar seria em melhorar o absurdo de tempo empregado até a liberação da poda de uma árvore, período esse que varia de 2 meses até 1 ano!!!!! Isso reflete diretamente na produtividade pífia de 200 serviços por mês, conforme informado pelo sub-prefeito na matéria.

Outra oportunidade: será que a poda de árvores é planejada para minimizar o tempo de deslocamento + o tempo de preparação? existe alguém que trabalha na "engenharia de tráfego para esse setor? Existe uma métrica para acompanhamento da demanda? Existe um monitoramento desta métrica? Ações são tomadas para atingir a meta? Um bom plenejamento aliado a metas bem estabelecidas e monitoradas, no mínimo, diariamente, garantiriam o completo atendimento da demanda atual. Como citei no início, um pouco de gestão na administração pública daria um resultado enorme.

Por fim e para comprovar tudo isso, o mais curioso foi o apurado pela Secretaria da Sub-prefeitura: em 2010, 99 mil serviços foram executados, frente a uma demanda de 46 mil pedidos, mostrando, novamente com números, que parte do Orçamento de 2011 será mal investido, ou pior, será investido onde não existe a menor necessidade!!!