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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Playcenter, um center de manutenção urgente!

Domingo o Playcenter viveu mais um dia trágico em sua história quando oito pessoas ficaram feridas, sendo que três ainda estão na UTI, após uma falha no sistema de segurança de uma de suas atrações, o Double Shock. Segue o link com a matéria pra quem não ficou sabendo.


http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/acidente+em+brinquedo+do+playcenter+em+sao+paulo+faz+8+feridos/n1300023461387.html

Desta vez os técnicos do Núcleo de Engenharia do Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica de São Paulo parecem não estar preocupados em achar um culpado ou responsável pelo acidente, mas estão sim preocupados em encontrar a causa-raíz que originou o problema. Bem diferente da postura adotada pelas autoridades do caso do post "A causa-raíz é a enfermeira?".

Uma fato que chama a atenção é que o intervalo entre falhas no Playcenter estar diminuindo, ou seja, os equipamentos apresentam problemas com mais frequência, e os problemas estão gerando acidentes graves! Vejam que em Setembro de 2010 houve um outro acidente no Playcenter.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/acidente+no+playcenter+fere+16+pessoas/n1237782985512.html

Uma triste constatação é que praticamente nada está sendo feito de maneira sistêmica para resolver de vez os problemas no parque. Não consigo acreditar que tenham sido fatalidades. Acredito sim que foram falhas na gestão do sistema de manutenção do parque. Nesse ponto, o Lean TPM pode ajudar muito!

TPM é uma sigla cuja tradução inicial era Manutenção Produtiva Total, passando para Gestão da Produtividade Total até chegar no termo mais recente, Gestão da Performance Total. O TPM ensina a enxergar a situação atual em relação à condição ideal da máquina ou equipamento, para conhecer as perdas a serem eliminadas para então, eliminar o GAP entre ambas.

Para esses casos específicos do Playcenter, alguns sinais são claros de falta de gestão do sistema de manutenção. Vejam alguns relatos das vítimas e testemunhas:

"Não consigo entender como deixam funcionar um brinquedo sujeito a esse tipo de acidente. O equipamento teve problema no mesmo dia e ninguém fez nada. Poderiam ter evitado tudo isso. Não entendo. Essa imprudência ainda vai matar alguém"
"Foi uma bênção de Deus, poderia ter sido eu" - conta uma pessoa que tentou duas vezes ir no brinquedo, mas que ele esteve momentaneamente fechado para manutenção técnica.
Analisando essas informações, percebemos que existe sim uma preocupação com a manutenção dos equipamentos no Playcenter. Os funcionários até fazem uma parte do que chamamos de Manutenção Autônoma. Acontece que isso não vem se mostrando eficiente na prevenção de problemas.

A Manutenção Autônoma é o ponto inicial para garantir que o equipamento esteja sempre nas condições normais. Ela vai também alimentar os problemas que deverão ser analisados através de um estudo mais detalhado, com um entendimento completo do problema e suas causas, dentro do pilar de Melhorias Específicas, de modo a garantir que ações corretivas permanentes sejam tomadas. Ambos vão então alimentar as Manutenções Planejadas. Esse conjunto leva o equipamento à quebra zero!

Me pergunto se o que é verificado na Manutenção Autônoma e que demonstra problema, é analisado com detalhes em busca da causa-raíz, e é incluído nas Manutenções Planejadas dos equipamentos. Creio que não. Vide que no caso do Double Shock, o equipamento já esteve fechado anteriormente por problemas de manutenção e mesmo assim foi liberado, até que a falha se manifestou e gerou o acidente.

Em casos como o de domingo, o equipamento deveria ter sido fechado até que o problema que se apresentou duas vezes fosse completamente entendido, analisado e resolvido. O Playcenter deveria rever seu sistema de gestão da manutenção dos equipamentos e o Lean TPM é uma opção excelente para evitar que casos como os de Setembro e de domingo voltem a ocorrer, deixando mais vítimas e manchando o nome do parque.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Capacitação nas Nuvens

No último domingo fiz uma viagem voando em um avião da TAM. Como de costume, ao sentar-me peguei uma daquelas revistas de bordo que é chamada TAM nas Nuvens e comecei a olhar, sem grande interesse. Teve uma matéria que li que chamou a atenção pois falava sobre como são feitas as manutenções das aeronaves. Particularmente me chama a atenção pois todos sabemos o que pode acontecer caso um avião tenha algum problema, especialmente durante o voo. Pois bem, eles mencionavam algo sobre a formação dos manutentores em uma matéria da edição de Dezembro/2010.

Procurei um pouco e encontrei a matéria. Veja abaixo:



Uma coisa que aprendi nos 5 anos que trabalhei na Toyota do Brasil foi a valorizar a capacitação e entender que ela não acontece da noite para o dia. É necessário muito tempo, investimento e dedicação para atingir um nível de excelência. Cito dois exemplos: na Toyota, um Chief Engineer (uma espécie de Gerente de Produto / Projeto), pode levar até 25 anos para ficar "pronto". Ele passa por diversas áreas da empresa, conhece as diferentes realidades e dificuldades de cada uma delas, até estar apto para a função. Um operador chega a ficar 1 mês sendo capacitado, passa também por diversos setores, até entrar na linha de produção (era assim na minha época). Soa muito tempo, não? Talvez até seja mesmo, mas vamos entender a mensagem: capacitação leva tempo, investimento e dedicação!

Isso também vai de encontro com o que está descrito no livro de David Mann, Creating a Lean Culture, onde o trabalho padronizado aparece como uma maneira de capacitar os líderes para a filosofia Lean.

Fiquei impressionado ao ler a matéria e ver com a seriedade da capacitação do pessoal de Manutenção da TAM. Segue a mesma linha de pensamento da Toyota, mas, muito mais importante que isso, preocupa-se muito com o resultado final: zero falhas em aviões!

Investindo tanto na formação dos manutentores, eles garantem um alto nível de serviço e ainda mantém o time motivado, visto que estão em constante formação, ganhando experiência e aumentando sua empregabilidade, consequentemente.

Claro que a grande motivação para um investimento desses é a preservação das vidas da pessoas e, em consequência, a preservação da imagem da empresa, pois todos sabemos da repercussão causada por qualquer problema em aviões. Basta ver como as pessoas ficaram assustadas com os dois casos gravíssimos de queda de aviões em Congonhas, respectivamente em 1996 e 2007. Fora o sofrimento e a dor das famílias vítimas das tragédias.

Independente disso, fica uma líção para as empresas que buscam elevar o nível de excelência e qualidade: Capacitação é coisa séria! Como está a capacitação dos seus funcionários? Quanto está sendo investido nesse sentido?

Se os resultados não vão bem, essa pode ser uma das razões.