terça-feira, 7 de outubro de 2014

PDCA no Carnaval do Rio

Incrível como qualquer ferramenta de gestão pode ser usada em qualquer segmento em prol de melhorias. Já vi os mais inusitados exemplos, mas confesso que esse ultimo que tomei conhecimento superou todas as minhas expectativas.

Uma escola de samba do Rio de Janeiro, a Mocidade Independente de Padre Miguel, que não conquista um título do carnaval desde 1996, incomodada com a falta de títulos dos últimos anos, resolveu mudar... para melhor!

Não consigo afirmar se conscientemente, mas seguem o modelo PDCA para tal. Primeiramente, buscaram identificar os problemas que poderiam estar causando os maus resultados. Identificaram uma serie de problemas básicos como: infraestrutura ruim do barracão, sujeira, desorganização, falta de manutenção geral, equipamentos antigos e obsoletos... Tudo que contribuía para deixar um ambiente de trabalho perigoso, trazendo riscos para segurança e bem-estar dos que lá trabalhavam. Soma-se a isso a motivação dos funcionários, que certamente era bem baixa.

Além disso, identificaram que uma mudança no modelo de gestão também era necessária. Essas ações fizeram parte do P (plan) da melhoria. No D (do), que está em pleno andamento, ações foram tomadas de modo a trazer uma significativa mudança. Podemos encontrar detalhes na matéria abaixo, com fotos que ilustram bem, mas vou resumir alguns pontos importantes:


1 – 5S (condições básicas de limpeza e organização agora fazem parte do cotidiano)
2 – Manutenção (barracão reformado, troca de equipamentos obsoletos)
3 – Mudança no modelo de gestão (contratação do maior ganhador do carnaval nos últimos anos, organização humana da produção, formalização de contrato de trabalhadores)
4 – Segurança (EPIs, normas e procedimentos de trabalho)

Os próximos passos, C (check) e A (act) devem ser tomados a partir de agora, ou seja, deve-se monitorar constantemente se os prazos estão sendo cumpridos e as metas traçadas serão atingidas. Do contrário, novas ações de mudança deverão ser tomadas.

Seria leviano afirmar que essas ações serão a garantia de um titulo para a Mocidade, após tanto tempo. Mas certamente, os coloca em uma condição de briga diferente de outras escolas.


Mocidade tem tudo para ser um sucesso em 2015. Vamos aguardar...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Via Fácil com vida fácil

Em minha recente experiência trabalhando como consultor uma atividade rotineira eram viagens. Em sua grande maioria, no meu caso, eram viagens de carro dentro do estado de São Paulo. Pela necessidade, acabei me tornando um usuário do sistema Sem Parar da Via Fácil.

Na última terça-feira, indo para a minha aula de Mestrado, discuti com dois amigos que estavam viajando comigo sobre o quão genial é esse sistema. Minha visão sobre o sistema como um todo era muito positiva. O sistema entrega valor aos usuários a um custo muito baixo. Quem usa o sistema tem motivos para ficar satisfeito. Os benefícios são inúmeros: economia de tempo nas viagens por não precisar entrar em filas, parar e efetuar o pagamento de pedágios, não há preocupação em sacar dinheiro antecipadamente para pagar pedágio, não há risco de ser assaltado ao pagar o pedágio... enfim, um ótimo serviço a um custo muito baixo.

Pois eles me fizeram enxergar de uma outra maneira, pela óptica da Via Fácil. Além de fornecer um serviço que entrega muito valor ao cliente final pelas razões já citadas acima, a Via Fácil ainda ganha em dobro. O crescimento do número de usuários em função da qualidade e utilidade do serviço é impressionante, cerca de 20% ao ano. Em Dezembro de 2009 eram 2,5 milhões de usuários. Em 2010 o faturamento foi de singelos R$3,775 bilhões!! Pouco menos de R$1 bilhão foi re-investido. Façam as contas do que sobra de lucro.

Além do faturamento astronômico, devemos computar um outro ganho gigante: com o crescente aumento do número de usuários torna-se cada vez menor a necessidade de funcionários recolhendo pagamentos em pedágios. Para mim, que passei um bom tempo em estradas nos últimos anos, esse é um fenômeno visível. De 1 cabine para o Sem Parar no início, várias praças operam hoje com 4 cabines dedicadas. Já vi praças com 6 cabines dedicadas. São 4, 6 pessoas a menos por turno de trabalho. Façamos as contas disso nos 15.000Km de rodovias que a Via Fácil presta serviço. São vários milhões de reais a menos de despesas com mão-de-obra.

Sempre ouvi e hoje tenho consciência da importância de garantir fluxo contínuo nas empresas, mas tenho certeza que nunca verei uma melhoria em prol do Fluxo Contínuo gerar tamanho retorno financeiro como o desse caso...

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Repassando... hospitais em foco!

Na coluna da Época Negócios dessa semana, José Roberto Ferro, presidente do Lean Institute Brasil, explora os problemas da má gestão hospitalar em nosso país. Vejam a matéria no link abaixo:

http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Visao/noticia/2012/08/hospitais-comecando-sair-da-uti.html

Passei por situações parecidas com a que ele descreve em sua coluna.Vejam as matérias nos links abaixo:

http://leanparatodos.blogspot.com.br/2010/12/hospitais-sem-sofrimentos.html
http://leanparatodos.blogspot.com.br/2011/02/sistema-de-saude-doente.html

Existem casos de sucesso nos Estados Unidos e esperamos ver mais casos de sucesso, como o do Instituto Oncológico do Vale, de São José dos Campos, apresentado no último Lean Summit Brasil.

Nos dias 05 e 06 de Novembro terei o prazer de palestrar no 6º Forum Nacional de Lean (www.6fnl.grupolean.com.br). Aproveitarei a oportunidade para ver um case que será apresentado, do Hospital Albert Einstein de São Paulo.

Acho legal dividir a matéria para salientar que é um assunto que vem ganhando espaço e foco de profissionais que trabalham com melhoria contínua em uma área onde todos saem ganhando.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Impacto da falta de 5S

Hoje pude novamente comprovar a importância de um bom 5S e como ele pode mesmo impactar os indicadores de performance de qualquer empresa/pessoa. Além disso, também senti na pele o impacto de não se seguir uma instrução de trabalho, por mais simples que possa parecer.

Pela manhã tive que buscar um colega na casa dele para dar uma carona. Era a primeira vez que eu fazia isso, portanto, eu não sabia muito bem onde ele morava. Peguei o endereço e recorri ao bom e velho Guia de Ruas e seus mapas para encontrar a localização. Por sorte o local é bem perto de onde moro. Pelas minhas contas, em 15 minutos, no máximo, eu chegaria na casa dele. O real foi bem diferente disso. Vou ilustrar os problemas que enfrentei:

1 - Problema no 2ºS (senso de ordenação): a rua teve uma recente mudança de sentido e, com isso, a numeração da rua foi totalmente invertida, ou seja, a casa 15 foi para o lugar da 181 e vice-versa. Com isso, várias casas estavam com duas numerações, outras estavam sem nenhuma, o que tornava praticamente impossível saber exatamente onde ficava uma determinada casa.

2 - Problema no 4ºS (senso de padronização): com a mudança de numeração, todo o padrão foi perdido. A numeração no começo da rua começava pelo fim o que causou-me confusão por não seguir o padrão conhecido.

3 - Problema no 5ºS (senso de disciplina): tudo isso já vem ocorrendo há algum tempo. Meu colega inclusive me confidenciou que os correios tem enfrentado problemas para entregar as cartas nas casas. Mesmo com essa situação, estão todos conformados com a situação e ninguém trabalha para voltar à situação normal.

O resultado de toda essa confusão causada por falha nos 5S foi que dos 15 minutos previstos, levei 30 minutos para encontrar meu colega. Impacto direto no meu indicador de prazo. Imaginem situações semelhantes a essa em ambientes de manufatura ou escritórios. Certeza que o impacto de problemas semelhantes é bem parecido.

domingo, 15 de julho de 2012

Set-up rápido da mesa

Recebi um vídeo de um amigo sobre algumas invenções malucas que alguns alemães vem fazendo e um deles em particular me chamou a atenção.

Recentemente tive procurando exemplos de vídeos de troca rápida (set-up) para divulgar em treinamentos e workshops, mas queria alguma coisa que fosse diferente dos vídeos tradicionais das trocas de pneus da Fórmula 1.

Achei muito legal o vídeo pois ele trata exatamente de uma troca rápida, através de um toque, em poucos segundos. É um belo exemplo de como um produto / equipamento pode ser concebido de modo a propiciar uma troca rápida. São dois vídeos bem curtos e estou me referindo ao segundo vídeo (inicia com 9 segundos).



Já imaginaram se, no vídeo da mesa, cada parte da mesma tivesse que ser ajustada individualmente? Quanto tempo seria a troca da mesa menor para a mesa maior e vice-versa? Qual o impacto disso? As trocas seriam feitas com baixa frequência, pois seriam trabalhosas. Uma vez no tamanho maior, lá ficaria por um bom tempo, até ser impossível de utilizar esse tamanho e sermos obrigados a retornar ao tamanho menor. O inverso aconteceria. A mesa ficaria um bom tempo no tamanho menor, até não mais ser viável utilizar dessa forma.

Alguma semelhança com o que vemos nas fábricas? Trocas demoradas levam automaticamente a lotes maiores "para compensar" a parada da máquina. Isso leva a programações de grandes lotes e todos acham que estão fazendo um bom negócio, com a mais alta produtividade. Outro paradigma importante a ser quebrado. Lotes maiores não é a melhor solução. A solução é reduzir tempo de troca e trabalhar com lotes casa vez menores, ou seja, flexibilidade para produzir vários produtos dentro do mesmo intervalo de tempo.

Vamos fazer uma analogia usando o exemplo da mesa. O ideal é poder trocar o tamanho da mesa em poucos segundos e ter a flexibilidade de atender 4 clientes ou 10 clientes, em segundos, sem precisar de mesas extras ou de um alto tempo para mudar o tamanho dela.

Impacto na flexibilidade e nos custos!! Pensem nisso!